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(...) Entrou-se num completo
desleixo e não se assumem responsabilidades. Todos se queixam, mas poucos
fazem alguma coisa para além das lamúrias. É certo que a maior
responsabilidade recai nas chefias de grandes empresas e de organismos
públicos. Elas não têm normas nem respeitam as existentes. Só respeitam
quem os nomeou, perdão, quem lá os colocou, porque raramente é a mesma
pessoa. Por aquele que lhe der o lugar têm uma grande veneração. Por ele
farão o que for possível, dão o dito por não dito, bajulam, humilham-se,
se for possível. Os outros, sejam subordinados ou clientes, não contam.
Para defender o tachito, rastejam ou põem-se de joelhos se for preciso.
(...)
(...) Antigamente, quando um
serviço não tratava de um assunto, dava-se conhecimento à chefia e o
problema era resolvido. Hoje nem sequer respondem! É o desrespeito total.
A inacção, os braços
cruzados e os lamentos sem acção deixam os incompetentes fazer o que
querem.
Esta crise que se
atravessa - António Mão de Ferro - DN, 10/11/2002
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(...) Mas as semelhanças
entre o Continente e a Madeira não ficam por aqui. Com efeito, a economia
política do Estado português encontra-se perante a Europa como a região
autónoma perante o estado central. Ambos produzimos pouca coisa e vivemos
basicamente do turismo, das remessas dos imigrantes e dos subsídios que
recebemos das sociedades mais evoluídas. Para não falar dos capitais de
origem duvidosa e da prestação de serviços inconfessáveis.(...)
As bravatas independentistas
do regedor da Madeira são equivalentes aos protestos nacionalistas dos
políticos continentais perante as exigências - bem complacentes, aliás,
para quem paga os nossos desmandos - a União Europeia. (...)
Só agora descobriram que
Portugal perdeu qualquer capacidade de decisão autónoma em matérias
relevantes da economia como da política? E não se deram conta de que, a
partir de certa altura, essa perda se tornou irreversível? (...)
Estes querem que o estado
adie as privatizações anunciadas ou que lhes venda barato as empresas que
restam. Só que o Estado precisa de vender o mais caro possível para tapar
os buracos do Orçamento. Seja como for, numa coisa os autores do manifesto
têm razão: «Está em causa a viabilidade de Portugal como sociedade
política.»
Reverso da Medalha - Uma
questão de escala - Manuel Villaverde Cabral - DN, 8/11/2002
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(...)
Começou a espiral dialéctica revolta/opressão, com os resultados
conhecidos. Se, ao menos, tivesse produzido o resultado desejado, a tal
acumulação de capital nas empresas, para reinvestimento ... - mas qual? A
má consciência dos beneficiários zunia-lhes aos ouvidos que tal benesse
não duraria muito, o reviralho estava ali ao virar da esquina: foram,
pois, 48 anos de sanguessugação do trabalho e imediata colocação de
capitais a salvo, em contas numeradas.
Para
que a equação ficasse garantida, continuava a atribuir-se as culpas aos
trabalhadores, ignorantes e sornas - e presa fácil do discurso subversivo.
Assim, 2+2 ficava igual a 5, quod erat demonstrandum.(...)
Continua a culpar-se os trabalhadores e estes, afinal, mantêm a sua
alta cotação no estrangeiro - e, por cá, quando o empresário é
estrangeiro. (...)
E do
lado dos empresários, que temos? Um estudo internacional fez um
retrato-robot do gestor português como ignorante, arrogante,
excessivamente pago e incapaz de trabalhar em equipa.
Temos, então, que, em Portugal, como regra, os trabalhadores são bons e os
empresários incapazes: (...)
(...)
quem faz as leis são os empresários, através da sua extensão política no
bloco central puxado à direita. E quando há desproporção da razão com a
força, entra a equação: o Estado que volte ao proteccionismo e façam-se
leis contra os trabalhadores. Já as há suficientes, mas isto só fica bom
quando não houver mesmo lei.
Manifestos & Exageros - 2+2
igual a 5 - Oscar de Mascarenhas - DN, 6/11/2002
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(...)«A sala de
actividades pouco tem, para além das mesas e cadeiras. Faltam jogos,
livros para a biblioteca, brinquedos, um placard em condições para afixar
os trabalhos das crianças, cortinados nas janelas, essenciais quando faz
calor, uma televisão e um vídeo, enfim, tanta coisa!»(...).
O problema, (...),
«é que estamos longe de tudo. Aqui, em Santo Estevão, não há bibliotecas,
museus, jardins ou outros espaços que possamos visitar com frequência, em
complemento às actividades lectivas do jardim-de-infância. Estamos
confinados a esta sala e ao refeitório da escola, onde os miúdos
almoçam.(...).
Sala pobre é «uma
benção do céu»
Na freguesia serrana
de Santo Estevão (Tavira), um jardim-de -infância é «graça divina». Mesmo
tendo rachas nas paredes. Paula Martinheira, DN,
12/09/2002
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«Tivemos quatro ministros nos
últimos dois anos que fizeram tábua rasa em relação àquilo que tínhamos
vindo a dizer. O Ministério da Educação (ME) não ouve os estudantes. Eles
tentam sempre levar a discussão para uma plataforma técnica, agarram-se a
fórmulas, a conceitos que dizem tudo e não dizem coisa nenhuma. Usam uma
linguagem tecnocrática, extremamente redonda, cujo objectivo é dar a
ilusão de que as nossas preocupações são as deles.» Esta a perspectiva
assumida por Vasco Serra Cardoso, de 24 anos, representante dos estudantes
no Conselho Nacional de Educação.
(...), por via do processo de
Bolonha. «A UE preconiza o corte efectivo nas despesas sociais, incluindo
a educação. E, aqui, perspectiva-se uma tentativa forçada de encurtamento
dos cursos, tendo em vista um ensino mais barato.» Só que «há saberes que
necessitam de ser maturados e não se transmitem em injecções de
conhecimento de três anos.
Como será no futuro? «Fala-se
muito de formação ao longo da vida, é um conceito quase poético, mas o
verdadeiro objectivo é que a formação de nível superior seja mais curta e
depois, quando o estudante já estiver inserido no mercado de trabalho,
terá de pagar outras valências para juntar ao seu saber.»
Associações estudantis, «Mobilidade é uma cenoura»,
Cadi Fernandes, DN, 27/8/2001
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A polémica em torno do ensino de Português
(...), em particular de Os Lusíadas(...).
Excelente exemplo é a tola pretensão de
aproveitamento político a que a direita se lançou, recorrendo igualmente à
entrevista do ministro da Cultura, que, manifestamente, em nada autoriza o
que se tem escrito. E se não surpreendente ouvir disparates da boca de
deputados do PSD que nunca deram provas de especial acutilância cultural,
já não deixa de o ser que homens como Vasco Graça Moura sacrifiquem a
inteligência que se lhes reconhece em aras de disparate
intelectual.(...).
O puro analfabetismo tende a deixar de
constituir um problema em Portugal, mas exactamento o contrário sucede com
o analfabetismo funcional. (...)
Português (1), Ruben de Carvalho, DN,
24/8/2001
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(...) Veja-se a comissão de
inquérito à Fundação Vara. Gastou meio ano para nada concluir.(...)
Na comissão parlamentar, todavia, os representantes do PS apagaram
das conclusões essa presu8mível ilegalidade. Inutilizando seis meses
de trabalho. Por isso quando se pergunta: para que servem semelhantes
organismos? Há logo quem responda: as comissões parlamentares de inquérito
são detergentes; servem para branquear o partido maioritário. Tornam-se,
contudo, detergentes negativos: lavam cada vez mais escuro. Foi assim no
PSD. É assim com o PS. Será assim com qualquer partido que obtenha a
maioria absoluta. Eis o busílis. Confundem-se sempre dois tipos de
iniciativa: o dever de o partido governamental apoiar a política do
Governo; e o vício de utilizar a maioria para fins mesquinhos. Ao
pretender tirar uma nódoa a Armando Vara, o PS sujou o
Parlamento.
Chuva de Pedra, João Carreira Bom, DN,
24/8/2001
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Primeiro foi o Kosovo, agora é a Macedónia,
um dia será o Montenegro, talvez chegue a Belgrado. As forças militares da
NATO estão a ocupar um país independente, reconhecido internacionalmente,
em que, por enquanto, os dirigentes eslavos ainda não foram acusados pelo
Tribunal Penal Internacional de crimes de genocídeo ou de guerra contra os
albaneses.(...).
Mais uma vez também, as negociações foram
conduzidas por esse espantoso defensor dos direitos humanos, castelhano de
nascimento, responsável pela política externa e de defesa da União
Europeia, ex-secretário-geral da NATO, inventor da designação «efeitos
colaterais», isto é, morte de inocentes por bombas justas, e que dá pelo
nome de Javier Solana.(...)
Se não fosse trágico até teria a sua graça. A
NATO vai recolher as armas que deu de graça a uma organização terrorista.
Isto é, não mudam de mãos. Mas os Blacãs têm uma longa história de
resistência a invasores. Já viram vencedores sairem humilhados e sabem
sofrer o tempo sificiente para serem os últimos a rir. Depois do pântano
do Kosovo, a NATO enterra-se na Macedónia. O abismo está cada vez mais
perto.
«Colheita Essencial», António Ribeiro Ferreira,
Editorial DN,
18/8/2001
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(...)
O PS é hoje uma federação de
interesses e grupos em permanente guerrilha. Os muitos ex-ministros fazem
guerra aos actuais ministros e estes pagam-lhes na mesma morda. Governo e
partido insultam-se sem que ninguém com autoridade (o primeiro-ministro?)
ponhe ordem na casa. Neste cenário, tudo vale para fomentar a intriga e a
má-língua. A começar pela comunicação social. Não é pro acaso que o actual
Governo tem a maior legião de assessores de imprensa (jornalistas e
ex-jornalistas) de que há memória.(...)
Nem a Focus, nem o
Expresso, nem o DN, por razões diversas, se saíram bem nisto
tudo. Fica a ideia de terem sido simples instrumentos ao serviço da
intriga que campeia nos arraiais socialistas. (...)
Uma macacada, portanto. (...),
os macacos não riem para revelar contentamento. Riem por
velhacaria.
Pessimismo Democrático - O
Planreta dos macacos- Ricardo Leite Pinto, DN, 18/8/2001
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(...), surgem imensas dúvidas sobre as causas
do nervosismo, excitação e mesmo exaltação que as notícias do DN
provocaram em tanta alma séria, pura, virgem, ingénua e muito susceptível
a enjoos.
(...). Essas almas estão, justamente,
preocupadas com as auditorias de organismos credíveis, como a
Inspecção-Geral de Finanças, e com ministros sérios que cumprem a sua
missão, (...). Estão habituados a rolar de partido em partido, de governo
em governo, sempre sentados, e bem, à mesa do orçamento e comer subsídios.
A náusea, como se sabe, pode ter diversas causas. Uma delas é o medo. E,
por isso, nada melhor do que fazer apelos patéticos e cretinos para que
nada se faça, na se diga, nada se despache. São os trogoloditas de
serviço.
O medo, António Ribeiro Ferreira,
Editorial DN,
18/8/2001
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(...)
Louis
Michel defendeu que o recente «não» da República da Irlanda à ratificação
do Tratado de Nice tornou mais vivo o debate sobre o futuro da
Europa.
«Creio,
pessoalmente, que é muito perigoso organizar referendos quando não há a
certeza de ganhar», afirmou aos jornalistas, num encontro com a homóloga
austríaca, Benito Ferrero-Waldner, em Viena.
O ministro
Belga (...)
Bélgica alerta para os perigos
de novos referendos, DN, 12/7/2001
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(...)
Precisamos por isso de um
governo que se legitime sobretudo pelos desafios que assume, que seja
capaz de escolher e de agir - á assim que, no poder, se constrói o
destino de um País; de um governo que resista à pindérica, mas cada vez
mais óbvia, resignação ao Portugal do «fado, futebol e Fátima» que ameaça
reeditar-se, e que se saiba escolher como «grandes» projecto que apoiem,
nãp no betão e nos seus lobbies, mas na massa cinzenta e nas sua
potencialidades.(...)
Antecipar o futuro -
qualificação e esperança,Opinião,Manuel Maria Carrilho, DN,
12/7/2001
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(...)para a
tradução política desta akrasia que aposta Oskar Lafontaine, numa conversa
em Outubro passado, ao falar-me dos líderes made in Taiwan:
políticos que se desinteressam do País mal se cansam de si próprios,
políticos, enfim, sem qualquer curriculum ou qualificação que não
sejam aparelhísticos, políticos que, em geral chegados ao topo numa
apoteose de vazio cada vez maior, acabam por trair de diversos modos, mas
sobretudo no olhar, a evidência - em rigor, trágica - da grande
interrogação escondida:
«Afinal.
o que faço eu aqui?»
A apoteose do
vazio,Opinião,Manuel Maria Carrilho, DN, 11/7/2001
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(...)
Aníbal Cavaco Silva protagonizou um dos mais
polémicos períodos da vida política e económica do Portugal contemporâneo
e parece completamente pueril a postura que assume de inocência perante os
problemas acerca dos quais decide sentenciar. Ao escutá-lo, ser-se-ia
levado a crer que nos encontraríamos perante alguém inteiramente alheio ao
percurso recente do País, o que ganha contornos de desonestidade, quando
ninguém ignora que a desastrada governação socialista o é, no essencial,
por não constituir qualquer efectiva mudança face à desastrada governação
cavaquista.
Ruben de Carvalho, Os fossados cavaquistas - DN,
25/5/2001
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(...) O
ex-deputado Manuel Varges retomou o exemplo de Guterres sobre os ministros
vaidosos e os gabinetes inacessíveis, dizendo que o Executivo devia estar
«mais próximo dos autarcas». E explicou porquê: «Quando um autarca
telefona para um ministro, eles nunca estão disponíveis. Nem sequer os
chefes de gabinete. Dizem-nos para deixar recado, mas não temos resposta
ao fim de três semanas».
Partido Socialista | Congresso
| Anónimos, sondagens, câmaras e «coelhones»
Graça Henriques, Martim Silva,
DN, 6/5/2001
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(...) As capacidades de
Guterres não se esgotam no linguarejar. É um homem de diálogo, que nos
códigos socialistas significa estar sempre de acordo com a corrente mais
forte, mesmo que para isso tenha de defender posições perfeitamente
antagónicas em curtos espaços de tempo.(...)
O tal País maravilha
parace ter acabado. O sonho cor-de-rosa tornou-se num enorme pesadelo e
Guterres, sem nenhuma dificuldade, admite hoje o que sempre
negou.(...)
Editorial, Deus nos
livre
António Ribeiro Ferreira, DN,
29/3/2001
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(...) este
deliberado desconhecimento da realidade metropolitana, esta ausência de
coragem política para para enfrentar realidades desconhecidas, por ser
mais cómodo aplicar o velho receituário, (...).Chegou a hora das políticas
inteligentes e renovadoras ou então, a continuarmos nesta vaidadezinha
bacoca e decrépita, daqui a uns anos saberemos os nomes de todos os
responsáveis que poderiam ter feito e não fizeram, decidido e não
decidiram e por isso entregarão aos nossos filhos uma metrópole mais
violenta e brutal.
Crime em
Lisboa
Francisco Moita Flores, DN,
6/2/2001
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(...) da pertinente
sugestão de Medina Carreira, ao propor a dissolução das fundações privadas
de exclusivo financiamento público, única forma de pôr termo ao Estado
paralelo que se tem vindo a instalar na última década em Portugal, pondo
em causa a imagem, o perfil e a missão das autênticas fundações que,
oriundas de um raro e precioso sentido da responsabilidade individual
perante a colectividade, tanto têm feito pelo país.
(...) a avaliação pública
do Governo e da sua liderança alterou-se profundamente, traduzindo um
mal-estar há muito legível mas só há pouco decifrado e assumido. De
repente, todos descobrimos que o «rei vai nu», sendo comovente a
multiplicação de «auto-críticas» que desde então se têm feito, bem como a
preocupação de todos se descartarem da bacoca ideologia de auto-estima com
que se tentou anestesiar o país.
(...) - num quadro de
inevitável reinvenção da identidade nacional - os problemas nacionais de
produtividade, de competitividade e de criatividade, rompendo (para usar a
feliz expressão de Ernani Lopes) com o pacto de mediocridade que não
podemos permitir que continue a manietar o presente e a hipotecar o futuro
dos portugueses.
O vazio em tempo de
cheias
Manuel Maria Carrilho, DN,
6/2/2001
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(...) Prometem o que não
cumprem, cumprem mal, ou cumprem tarde. Dos grandes desastres aos
contínuos deslizes, vemo-la presente em todo o lado. As vítimas, que
sofrem as ausências, fiascos e atrasos, são miríade. Mas como toda a força
genérica, a incompetência segue algumas leis simples.
(...) Quando promete, o
incompetente está sinceramente a pensar cumprir. Só que é incompetente e,
por isso, as suas afirmações, por mais solenes e repetidas, são
vazias.
(...) A incompetência,
como os gases, expande-se até ocupar todo o espaço livre.
(...) Um caso paralelo,
mas distinto, é o dos ministros, governantes e gestores públicos. Aí, a
falta de vocação não vem de uma escolha forçada, mas de ser feita pelos
amigos e influências políticas, sem atenção às capacidades pessoais. Em
épocas de compadrio, «ministro» e «incompetente» são quase
sinónimos.
(...), é difícil
encontrar um país onde a impunidade por incompetência seja maior. Achamos
sempre que o pobre aselha lusitano não deve ser castigado.
(...) A sociedade
portuguesa está montada para proteger e compensar o
incompetente.
As leis da
incompetência
João César das Neves - DN,
5/2/2001
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(...), se
pudessem despediam Portugal. (...) Apenas se despede quem tem, em vigor,
um contrato. E o País, mera dependência, há muito que está despedido. Já
não dispõe de capacidade de decisão para assinar, livremente, algo
importante. Os outros mandam e ele obedece. Não passa de migalha servil.
Foi pioneiro, no século XIX, a abolir a pena de morte e prisão
perpétua.Apesar de tudo tinha autonomia para isso. Agora, não. Segue as
indicações do Tribunal Penal Internacional. Ou os «consensos» da
OTAN. Ou as ordens da União Europeia.(...)
Mas têm de
responder depressa à pergunta que se faz com maior insistência: qual é,
para a União Europeia, a utilidade desta migalha servil chamada Portugal?
(...) Salários baixos, tão do agrado da velha indústria? Nem isso, Os
nossos salários são de miséria em relação ao custo de vida, mas -
felizmente - deixaram de competir com a escravatura asiática.
(...)
Despeçam toda a
gente
João Carreira Bom - DN,
4/2/2001
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(..) Cavaco
nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Gueterres passa as
entrevistas a pedir desculpa pelos erros cometidos. Convém lembrar esta
clivagem comportamental das duas personalidades políticas, porque Cavaco
escreveu sobre o tema caro a Gueterres, esta semana, aqui, no Diário de
Notícias, e Guterres atacou Cavaco numa entrevista shakespiriana à revista
Visão.(...)
Portugal
continua suspenso deste paradoxo: quanto mais Guterrres cavaquiza, mais
Cavaco guterriza.
A guterrização de
Cavaco
Carlos Magno - DN,
4/2/2001
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(...)
Sou
militante do PS e fui nomeado por isso. O próprio director, (...), também
é do PS local. (...)
Arcanjo pondera inspecção a
hospital de Setúbal
Ana Mafalda Inácio - DN,
18/1/2001
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(...)
O favor político leva a
que indivíduos sem qualquer competência, por vezes momentaneamente
desempregados, alguns dos quais médicos que raramente exercem a profissão
e cuja habilitação escolar apenas lhes serve para utilizar o título, se
sirvam dos lugares tendo como única intenção a sua promoção política e/ou
manutenção de um bom emprego.
Por isso não têm
escrúpulos para sobressair e, uma vez instalados, rodear-se de mais gente
medíocre, nem que, para isso, atropelem a lei, e tentar por todos os meios
- ainda que as estruturas funcionem muito satisfatoriamente - dividir para
reinar. Totalmente inábeis movidos apenas pela vaidade pessoal e sem
qualquer noção das relações humanas, frequentemente confrontam os
profissionais competentes que dirigem, comportando-se como díscolos
desenfreados que, em última instância arruinam, do ponto de vista
funcional, as instituições (...)
José Cotter - O cancro clientelar e a função
presidencial, Público, 17/1/2001
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(...) Há
uma intolerável desproporção entre a gravidade dos problemas, a sua
dimensão humana e social e as declarações ligeiras, as trocas de
diz-se-e-contradiz-se digno de assuntos pouco sérios e sem implicações
profundas.
(...) Da
chaminé do Governo, não sai qualquer fumo branco. Sai pelo contrário, uma
densamente negra fumarada de óleo queimado em engrenagens
irremediavelmente gripadas...
Ruben de Carvalho, De avaria
em avaria ...- DN, 5/1/2001
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"(...) sem
margem para dúvidas, o mundo vai entrar num novo milénio com o triunfo das
desigualdades, com um número imenso de excluídos. (...)
(...)
candidatura dos que não se rendem perante as falsas fatalidades e a
anestesiante resignação cívica que se pretende estender à sociedade como
modo de vida."
António Abreu, no distrito
de Setúbal - DN, 29/12/2000
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(...)
O problema
é que a questão está invertida. Não são a estabilidade e as
maiorias que geram as boas políticas, são as boas políticas que geram a
estabilidade e as maiorias.
Ruben de Carvalho,
Estabilidades - DN, 29/12/2000 |
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