Do peixe miúdo a sardinha é o mais abundante e de mais popular consumo. "huma qualidade de peche, que especialmente he destinado pela Providência a concorrer em grande parte para sustentação do lavrador, do oficial, do artista, e de todos geralmente. A fazenda régia não ignora isso. Em 1620 um minucioso regimento procura garantir a colecta dos 40% que lhe cabia. Estabeleceram-se 4 locais de venda em lota: Tavira, Faro, Vila Nova de Portimão e Lagos. Conforme os limites concelhios em que os cercos são deitados assim a sardinha deve ser transportada para a lota fixada, para evitar descaminho ao fisco. De Monte Gordo e Cacela ir a Tavira (...).
pags: 206, 207
Junto a Tavira uma légua, conta Henrique Fernandes Sarro, fica a freguesia de Nossa Senhora da Luz, de 150 fregueses, "e os mais são homens fidalgos, que morão por suas quintas"; entre Tavira e Faro, ao abrigo da restinga arenosa, " há muita povoação de moradores contínuos em quintas boas e de grande rendimento, muitos pomares e hortas, e terra grossa de fazendas e aprazível de sítio". (...). Em Cacela só há 5 casas ao pé da Igreja, e uma aldeia - Santa Rita, depois de 1699; todos vivem em quintas e fazendas. Na Luz de Tavira há um núcleo de 9 casas, as mais estão dispersas. Em Santo Estêvão no há povo junto; os moradores vivem em fazendas espalhadas. (...)  pags: 126, 127
Se o peixe grado interessava especialmente a realeza, a ponto de ficar com 60% rendimento do pescado, o peixe miúdo importaria mais a quantos viveram e morreram no Algarve de 1600 a 1773. Nunca se esqueça que o peixe alimento fundamental da dieta católica, com muitos dias magros no calendário.(...) pag:205
in: Algarve Económico, 1600 - 1773