Um cenário
entre a serra e o mar


Ao publicar, nos fins da primeira metade do século XIX, uma monografia do reino do Algarve, com dados do maior interesse sobre a vida económica e social das várias povoações, o erudito João Baptista da Silva Lopes (1781-1850) traçou o seguinte retrato da cidade de Tavira:
Está situada em terreno agradável e ameno, cortada pelo Gilaon ou Sequa, Hoje Aceca, que a divide em duas partes, com huma bella ponte de cantaria de 7 arcos, que serve para a comunicação entre ambas; boas ruas com algumas casas nobres; bonita praça rectângular margem direita do rio, aformezeada com os paços do concelho, sobre huma excelente arcada de cantaria, em hum dos angulos da qual está embutida na pedra a figura da cabeça de hum homem, que dizem ser do inclito conquistador, em altura gigantesca, como he tradio ter elle, sem que todavia haja fundamento algum para o asseverar. Debaixo desta arcada, e na praça ha todos os dias abundante mercado de caça, fructas, hortaliça, pão, e outros vários comestíveis, e generos do país(...)


in História viva, pag. 15-16