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| Público, 25/Junho/2004, pág:37 |
| Ria Formosa não pode comprar sacos para o lixo |
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O Parque Nacional da Ria Formosa (PNRF) "bateu no fundo", por falta de dinheiro para a gestão e conservação da Natureza. O Centro de Recuperação de Aves (CRA), por exemplo, não tem sequer verbas para comprar medicamentos. Anteontem, a Câmara Municipal de Faro enviou um galeirão e dois patos, vítimas de intoxicação na Estação de Tratamentos de Águas Residuais (ETAR) - casos que ocorrem com frequência, quando o calor aperta - e só foram tratados porque a farmácia deu crédito na compra dos antibióticos. Desde há cerca de sete meses, os funcionários do PNRF não recebem ajudas de custo e o dinheiro não chega sequer para as despesas correntes. No início da semana, aproveitando o facto de starem previstos dois dis de corte de energia - devido atrabalhos de manutenção no posto de transformação de electricidade -, alguns empregados pensaram organizar-se para fazer uma campanha de limpeza na Quita do Marim. Quando foram pedir sacos de plástico para recolher os resíduos, obtiveram a já clássica resposta: não temos material, nem há dinheiro para comprar. Desistiram da ideia. No ano passado, o CRA assitiu 1200animais contaminados por uma bactéria existente nas ETAR de Faro e Olhão, onde as aves nidificam e criam. Destes, cerca de 30 por cento foram salvos. A assitência medicamentosa e veterinária, só num mês, ascendeu a três mil euros. No que diz respeito à alimentação, carne e rações, só ainda não houve cortes porque os fornecedores continuam a dar crédito, na esperança de que o ICN não tarde a pagar as dívidas em atraso. Por outro lado, duas viaturas de fiscalização estão encostadas por falta de reaparação. Das que circulam, o que é poupado em oficina é gasto em combustível, consumido por motores velhos e sem assistência. Por falta de verbas também não têm sido apresentadas candidaturas comunitárias para projectos de investigação. Os funcionários manifestam-se desmotivados e o poder autárquico, desde que o PNRF perdeu influência na aprovação dos projectos da orla costeira, desinteressou-se da gestão do parque. Sobretudo desde que as decisões passaram a ser ordenadas a partir dos serviços centrais. A receita grada pelo parque, se fosse administrada pela própria região - enfatizam -, dava para pagar todas as despesas de funcionamento da estrutura. Esta área protegida, além de receber as taxas de 10 mil viveiros da Ria Formosa, usufrui também de licenças de concessão da orla costeira par apoios de praia, numa área de cerca de 60 quilómetro. .Idálio Revez |