Poemas de
Francisco Dias da Costa
 
A IGNORÂNCIA VAI À GUERRA
 A ignorância    levada pela mão da força
      vai à guerra. Vestida de soldado
armado até aos dentes
de entusiasmo inocente e generoso.
    
Quando perdeu as armas      o soldado
fechou a faca da ordem na memória sangrenta.
E deixou-se cair no torvo pesadelo
do seu esquecimento sempre violado.
   Ali mesmo     
              junto às crateras das bombas
onde esconderam os corpos despedaçados
os homens traídos em nome do humanismo.
    
Agora obcecado
decifra com angústia um estilhaço de granada.
E louco de espanto e entendimento
pergunta agitado à inconsolável mãe:

Mamã é verdade
que o Sol ainda se levanta todos os dias?
Sim meu filho! É preciso que o Sol ilumine
o sangue derramado nos combates fraticidas.
Onde os industriais da guerra
senhores da morte e da vida
administram a desgraça dos povos inermes
    
sacando dela
    
sujos proventos de crime e poder.
    
Até que nós    amanhã na companhia da luz
nos levantemos
e lhes tomemos contas da nossa dor.
in: Incómoda Memória / ostinato ritorno al uomo - 2002,pg33


Não voltes mais os olhos para trás
A noite já lá vai envergonhada.
Nos caminhos onde enterraste o medo
cultiva agora a flor da Liberdade.


in: Incómoda Memória /
ostinato ritorno al uomo - 2002,pg33

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